terça-feira, 7 de julho de 2015

Fuga

Eu fico me observando. Como os tempos se encarregaram de mudar e me mudar junto.
Como se na juventude, menos idade, menos experiência, menos vida, eu usasse meu tempo melhor...
Cada um com suas drogas.
Há quem beba, fume, cheire...tudo pelo adormecimento das horas. Como que para esquecer o dia que passou, as coisas que fez, os erros que praticou. Em particular de minha parte, os erros de escolhas, sei lá.
Me vejo passando os dias querendo ler os livros e fazer os desenhos estudar as fotografias, mas na realidade os passo vendo netflix. Ah, coisa do diabo...
E o frio de SP não ajuda.
Gosto mais de minhas proezas dos anos 2000. Ler 5 vezes cada um dos poucos clássicos de minha pequena caixa de livros. Eu não tinha prateleiras, tinha uma caixa artesanal de vime comprada no mercado de são josé especialmente para guardar minha triologia do Senhor dos Anéis. Coube também meu pequeno exemplar esfarrapado de bolso de Orgulho e Preconceito.
Hoje eu olho pro Moby Dick que está ali deitado por cima de vários outros livros, hoje compartilhados com meu marido, já pra ficar mais fácil de encontrar e pegar e ainda tenho preguiça.
Sim, já tive épocas de falta de espírito para certas leituras, e épocas de ler centenas de páginas em poucos dias (não há muito tempo, inclusive...li toca a coleção de Harry Potter em coisa de um ou dois meses no meio do ano passado).
Sempre me digo que é uma fase. O episódio da secura por Harry Potter foi recente e foi como canja pra minha alma doente. Mas mesmo assim, cada vez mais espaçadas essas fases. Penso em quando tiver filhos... Acabou! Num vai ter mais isso com o andar da carruagem. Não.
E os livros que eu ia escrever? As histórias que ia registrar? Isso é um veneno. Um ópio. No ano de 2013, quando a crise estava ruim, só assistia friends o dia inteiro. Talvez afastasse efetivamente minha mente dos pensamento ruins que de fato poderiam me prejudicar, então ok. Mas hj não posso continuar com isso...

Por isso, pegarei meu guardanapo, escreverei minhas metas, esquecerei dentro de um diário e em um ano espero ter conseguido fazer tudo.. certo, Jout Jout?

Então, vamos começar.... sobre Clarice...



quarta-feira, 4 de junho de 2014

Pensei bem antes de começar a escrever esse post.
Não que seja uma regra. Definitivamente não é uma regra, visto que o objetivo primevo desse blog era de expor mais do que eu julgaria sensato.
Sensatez foi aprendida com Jane Austen. Aprendizado que durou tanto quanto a leitura de um de seus livros.
Enfim...
Todos os dias os dias são estranhos. Como se existisse normalidade mas ela não visitasse ninguém.
Meu avô morreu. Quinta passada.
Junto com ele foram-se as histórias de polícia de 1930, o diâmetro da terra, o significado das estrelas na bandeira do Brasil, as constelações que são visíveis a olho nu no hemisfério sul, o macaco véio, artesanato pernambucano singular e a fé inabalável nos dogmas da igreja católica. 
Meu avô nem era santo. Dizem que minha avó que era, mas não era também não. Ela também já morreu. Mas ouso dizer que era bom. 
Sempre que eu digo que alguém é bom eu lembro da resposta de Jesus ao ser chamado de bom mestre: "Bom só meu pai."
Então tá, ele podia ser beeeem pior. Acho que Deus vai me entender quando uso a palavra bom.
'Bom' também foi o morrer.
Minha tia falou logo que ele faleceu: "Ele fez o que quis a vida inteira, até mesmo na hora de morrer."
Ele não quis ir pra UTI. Então ele não foi.
Minha avó sofreu. Então dou Graças a Deus por ter poupado ele do mesmo.

Dei graças a Deus também quando me vi numa cena digna de ser descrita por Rubem Alves. (Só porque ele é bom poeta, e nada mais.)
Estava eu abanando meu avô com um leque, que estou quase certa de ter vindo de uma viagem de uma de minhas tias a Portugal, enquanto ele tentava respirar na cama do hospital. O vento do leque era meramente psicológico. Bem como um mini ventilador instalado bem ao lado dele ligado no máximo. E enquanto abanava, olhei. Ao lado da cama era possível ver toda qualidade de gente. Eram, na verdade, seus filhos e netos. Durante toda aquela quarta-feira, eles passaram por ali, foram embora, voltaram... 

Foi um quarto movimentado. Naquele ponto, já sabia-se que só bastava aguardar. E lá estavam eles. Para os desconhecidos poderia parecer uma cena bem impessoal, até insensível. Mas para quem era de 'dentro', digamos assim, era basicamente um ritual. Como se a despedida precisasse ser tão natural quanto qualquer outro evento de sua vida. Há exatamente um mês estávamos do mesmo jeito comemorando seu aniversário... Ninguém jamais pensaria...

Era quase regra seguir-se o mesmo padrão de comportamento ao entrar no quarto: falar com todas as pessoas com um olhar de preocupação, marejar os olhos, chegar perto da cama, falar com ele, ouvir como resposta um gesto de "mais ou menos" para a pergunta "como vai, vovô ou papai?", voltar-se novamente para os outros visitantes, suspirar e começar uma conversar amena. Muitas das quais eram de matar saudade, já que tinha gente que morava em Recife, Fortaleza, Brasília e Maceíó. E ficamos juntos. Não sei quanto aos outros, mas meu coração estava em um estado agridoce, com a tristeza da morte e com o frescor dos frutos abundantes dele aos seu redor. É impressionante como duas vidas fizeram tantas outras e as mantiveram involuntariamente perto. 

Em geral ninguém queria ir embora. E ficávamos lá. Meu avô consciente, pedia regularmente os devidos ajustes aos aparelhos de ventilação improvisados, respondia a perguntas, deixava-se tocar, riu algumas vezes. 

Para encurtar horas que pareceram mais longas do que realmente foram, ele se foi. 
Meu avô costumava dizer, mesmo quando estava ruim, que estava "melhor do que merece."
Eu acho massa essa frase. Isso porque sou cristã e ela faz todo sentido pra mim. E sei que pra ele foi da mesma forma.

Por isso falei de Rubem Alves. Em seu livro, "O Médico", ele fala que a gente adoece porque a gente não sabe morrer. E que a morte faz tanto parte da vida quanto o parto. Só se morre se se vive. 
Minha mãe diz que odeia a morte. Eu disse a ela que ela odeia a única certeza que ela tem na vida. 
Enfim, eu não tenho sabedorias próprias. Uso um monte de jargões, por mais que os odeie. Mas Rubem Alves veio até mim, anos atrás e me revisitou há apenas um mês para me dizer isso. E isso tranquilizou meu humano coração.

Minha avó foi sábia. Me atrevo a dizer que mais que meu avô, mesmo que o texto seja sobre ele.
Minha avó era gente. Fazia besteira. Dava mais dinheiro do que tinha, era irônica, engraçada, forte, orgulhosa. Mas era sábia. Se ela não fez por onde, os muitos 86 anos de vida deram essa sabedoria a ela. Quando o pai dela morreu, os filhos se reuniram para dividir a herança e perguntaram o que ela queria. Ela respondeu: "Se sobrar um santinho da missa de sétimo dia, eu aceito." 
Vale a pena salientar que o pai dela era quase dono de Juazeiro do Norte, algo assim...
Há quem diga que o orgulho fez ela fazer burrice. Eu digo que ela foi tão sábia quanto uma pessoa poderia ser. Ela evitou a maior fadiga da vida dela. Herança é briga besta passando a fronteira do previsível dentre os avarentos e simplórios. Eu diria que ela foi a mais rica. Um testemunho bom que espero um dia ter a oportunidade de passar para meus filhos.

Resta agora todo o resto. Filhos, filhas, netos, netas, bisnetos e bisnetas...Espalhados por aí. Impressionante mesmo ver isso. Brilhante. Ver o que meu avô deixou chegar em Blumenau, Fortaleza, São Paulo, Maceió, Brasília, Portugal... Um casal de Triunfo - PE... E eu peço a Deus que, muito mais que a genética, a sabedoria, que é a verdadeira herança deles, se espalhe.

segunda-feira, 10 de março de 2014

ninguém escreve ao coronel

Nem nas redes sociais
Nem nos sms
Nem no whatsapp
Nem no email
Nem no céu
Nem na bíblia
Nem no caderno
Nem no vidro da janela

Ninguém escreve... ao coronel.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

amado irmão

Vim no ônibus pensando em trocar uma ideia contigo.
Porque basicamente são sobre coisas que já tentei compartilhar com os crentes e só vi cara de "xiiiii" ao invés de cara de atenção e ouvir mesmo. Não sei bem se isso é falha de interpretação minha ou se é minha psicopatia falando mais alto. Sabe que faço terapia? Por muitos meses eu não conseguia dizer o que eu achava, gostava, pensava. Eu chegava a declarar que não sabia mais nada. Como se nunca tivesse sabido e sim sempre tivessem me contado o que eu gostava. Eu não sabia dizer nem a cor que eu mais gostava. E rostos, expressões faciais, reações ao que eu falava me marcavam muito. Ainda marcam, mas menos. E se eu falasse qualquer coisa e visse um rosto sequer com cara de reprovação eu perdia toda a minha base pra acreditar no que estava falando. Às vezes nem era comigo. Foi crise de identidade e existencial. Ainda tenho. Menor. Mas eu gostaria de falar de defeitos, sabe. Falar de fraqueza. Falar sério sobre chegar a não ter mais fé em Deus nas coisas por causa do sofrimento crônico. De ter dia de ter certeza que orar é falar com o nada e mais que além de perder tempo, me iludir. No fundo eu sei que não, mas é o que acontece. Perder a fé é a pior coisa que existe. Você se sente tão sozinho. Pior que nunca ter tido...porque a solidão é ainda maior, mais escura...
E ai não ver caras de "vish...desviou", ou de "affe..." ou de qualquer coisa. E quanto mais o tempo passa, mais eu passo a acreditar que hoje minhas ações e reações parecem pras outras pessoas como se eu estivesse querendo chamar atenção. Como se já tivesse dado tempo de ter ficado bem e que agora é frescura. Como todas as outras coisas que não são boas são transformadas em peculiaridade e todo mundo se acostuma e revira os olhos ou ri pelas costas [às vezes até na frente mesmo] quando o "clássico" acontece. Não tenho motivo pra estar assim nem para reclamar. Agora é só frescura. E isso me enfraquece mais. E eu nem sei se é assim mesmo. Suspeito e ninguém nunca provou o contrário.
Me parece o limbo, sabe. Eu vejo os dois lados. O evangelho fofo e confortável, e o evangelho aos frangalhos no limite para criar agnósticos e desviados. "Se ele desviou nunca acreditou em Jesus." Eu estou desviada. Mas nunca ninguém vai tirar de meu coração que eu cri em Jesus de verdade. Que eu conheci Ele de verdade. Como se as experiências da vida de uma pessoa, a personalidade e a conjuntura não fossem fatores que intervissem. Não vou usar argumentos racionais, e provavelmente muitas caras farão as expressões que já descrevi. Mas quer saber....dane-se. Não vou tirar a responsabilidade de mim e colocar bonitinho em outros. É minha. Mas eu quero ser irresponsável. Porque a responsabilidade tem sido dolorosa e frustrante. Mas não sou a única irresponsável. A terra é o coração do homem e a semente a Palavra de Deus. Mas e se o coração fértil, semeado com a Palavra cair em terreno cheio de espinhos? Pessoas como Craig Thompson e David Bazan estão aí gritando para os crentes pararem de serem perfeitos em seus pedestais, com seu fogo perfeito, com sua canções perfeitas e se tornarem pessoas. Eu ponho a responsabilidade na Igreja pela perda dessas almas. Almas fracas que deveriam ser apoiadas pelas almas fortes, já dizia Paulo. Mas quem é forte? Quem quer ser forte? Ser forte traz responsabilidade. Ninguém quer ser responsável.
O evangelho é maltrapilho. É sobre gente que faz besteira, que é fraco, que não entende o evangelho direito mas tenta. Quem confessa o sexo extra conjugal? Quem confessa os palavrões que fala? Que confessa o ódio no coração? A gente fala, falar e fala de Deus e sua perfeição e do "sede santos pois eu sou santo", mas ninguém confessa a imoralidade e as fraquezas diárias. Ou confessam e eu sou a única que não tem irmãos pra isso? E tem dó de quem tá desviado, mas não enxerga que também está desviado. Como se o termo não existisse, já que ser e desviado são a mesma coisa.

"Será que alguém poderia me contar a história de pecadores resgatados da queda?"

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

eu não quero reencontrar nenhum bom amigo de outrora porque ele vai me perguntar "como é que tá?" e eu vou ou dizer uma mentira bem gorda tipo "tudo bem" ou a verdade "minha vida tá uma merda e não quero falar dela". Depois disso, esse bom amigo de outrora não vai querer mais ficar perto de mim, afinal, eu sou bem deprimente. E nada na minha vida vai mudar.
Minha casa é vazia, minha sala está empoeirada pelo desuso, ninguém vai no meu casamento por minha causa e acho que é isso ai.
Gente triste, pobre, solitária, etc., tem a vida como uma merda pela qual a gente tem que pacientemente passar. Seja lá qual for o fim das contas.
Nesse caso, seja lá qual for sua crença de vida após a morte, um preto vazio ou um céu cheio de nutella, o fim da vida sempre vai ser melhor. Tipo "nada pode piorar essa droga".

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

domingo, 28 de julho de 2013

sunday night lights

I just changed my bed´s position.
You see, I wanted to look at the stars again. I wanted to stop being so damn affraid of the cold and open the window.
It was a thrilling moment, you know. It has been a while. I guess since Recife I haven´t got myself together enough to do it, until now.
Do you know when you encounter an old good friend that you haven´t visited for a long long time and it gets a little awkward? It was kind of like that. You´re affraid that they won´t remember you so well.
Then, when I finally got the courage and layed down to look up, I didn´t see them.
Oh, I felt so alone. Abandoned, somehow. I couldn´t believe it. They weren´t there.
I understood, though. Why on earth would they stay there waiting for me for this long. After so many days... They glowed, you know. For all that time, I don´t have a single doubt that they glowed and glowed even though I never came back. But someday they had to give up.
I cryed. Like I wouldn´t believe myself. Why? Why did I do it? That was the most precious thing. They were.
I kept looking...and looking...and looking. I guess they didn´t come with me. Oh, that ripped my heart.
They would never comeback. It´s too late...too late for me. That line I crossed, it kept them back there, in the wild were I never should of left, and forgot all about me, as I did with them.
And all I saw was deep dark gray.
Then...I got numb, lost all hope and something happened.
A white and very weak spot. I squeezed my eyes... it got stronger, but not as before. One. Two! Another one! So weak but so there... I´m still there. I´m alive. Yes, I´m still there, in here, inside, and out there.