quinta-feira, 25 de novembro de 2010

amor e os transportes coletivos.

Como pode? O que tem a ver AMOR e o sistema de transporte coletivo do Recife?
Caramba, tudo a ver! Pelo menos para mim.

Descobri que amo andar de ônibus. Dá para se sentir mais próximo das pessoas que em um ônibus lotado? Show não vale, porque está todo mundo concentrado em uma coisa e as pessoas não importam quando o "Lenine" está tocando a música mais famosa dele.

Ultimamente eu tenho olhado mais para dentro do ônibus que pela janela. Fico observando cada detalhe que se joga na frente dos meus olhos. Cada fio solto na mochila do garoto sentado do meu lado, cada arranhão na barra de ferro perto da porta de saída, cada cicatriz da menina sentada no colo da mãe, que a terceira lâmpada de trás para frente do lado direito do ônibus está queimada.
Eu acho que as pessoas pensam que eu sou doida. E fico numa ansiedade para ajudar. Eu quero ajudar nem que seja perguntando a uma pessoa com a cabeça apoiada no braço se ela está com dor de cabeça e se ela quer um remédio. Doida. Mas o mais estranho que me aconteceu num ônibus foi essa semana:

Tinha acabado de sentar, pois uma pessoa tinha descido e vagou um assento. Ótimo. Sentei e fiquei na minha, viajando na música do Ferraby Lionheart no fone de ouvido. E me peguei encarando um homem um pouco mais a frente. Quando me toquei disso parei e fiquei me xingando "porque danado eu tava olhando pra ele..orr..". Passou um tempinho eu me peguei olhando para ele denovo, e quando me dei conta, algo na minha mente me disse, muito veementemente por sinal, que eu deveria beijar aquele cara desconhecido. Eu comecei a hiperventilar. Foi muito forte, e só quando eu cedi, e disse que iria fazer que me tranquilizei. Coincidência ou não, ele desceu na mesma parada que eu. Chamei e em seu ouvido falei "Deus quer que eu te dê um beijo." Isso foi tão automático que eu nem me lembro do rosto do rapaz. Ele me permitiu, dei um beijo e um abraço, ele agradeceu e nos separamos. Ele era homossexual. [Pra que ninguém pense que ele aceitou meu beijo com outras intenções.]

Eu deixei aquele cara ir embora, e eu estava aos prantos. Foi algo mais forte que eu. Mas foi amor.
Um amigo meu disse que provavelmente eu nunca vou saber porque aquilo aconteceu. Mas eu espero que tenha o mesmo efeito que o que teve comigo quando recebi algo parecido.

Entrei no ônibus com um livro do Douglas Adams na mão, "Até mais e obrigado pelos peixes". Eu vi o garoto atrás de mim ficou olhando. Ok. Antes de descer para ir para o IBAMA, me sentei denovo para marcar a página do livro, e o garoto pediu licença e me entregou um papelzinho. Eu peguei e sai praticamente correndo. "Que constrangedor", eu pensei. Mas ao descer eu abri imediatamente o papelzinho, que continha a seguinda mensagem: "Não entre em pânico! =)"

Cara, eu nunca ri tão ALTO na minha vida. Eu queria entrar denovo no ônibus e abraçar aquele menino!!! Eu corri atrás do ônibus para tentar dar tchau pra ele. Nesse mesmo dia, eu descobri que não poderia, depois de três anos de muito esforço, estagiar no IBAMA. Meu chão só não sumiu nesse dia por causa desse papelzinho, que hoje é a coisa mais valiosa que possuo.


O post ficou grande.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A palavra antiga

"Toda vez que eu procuro aqui algo pra ler, ouvir, olhar e dizer, Senhor, sabe o que eu quero.
Não me furto a certeza: és a vida que eu quero."

Apesar da doença, do cansaço, do sono, e das coceiras por todo o corpo por causa dos mosquitos gigantes da mata atlântica, transborda do meu coração, tangivelmente, um amor que me dá forças pra passar o resto da noite pulando e cantando e dançando e amando!

E parece que por mais que eu pare durante meu dia, olhe para o céu e mentalmente me declare pra Deus, nunca parece o suficiente. É um amor tão surpreendentemente além de tudo o que se possa entender que não consigo amar o suficiente! Nem juntando todo mundo no mundo vai ser suficiente!

É pra tanto que nem consigo fazer sentido num post.


Ah, meu amado.