domingo, 23 de dezembro de 2012

meta para o próximo ano:

descobrir o que eu quero ser quando eu ficar mais velha.
(já cresci, né?)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

sábado, 24 de novembro de 2012

se ele soubesse o poder que as palavras dele têm, talvez ele não as tivesse atirado me fazendo engolir o choro. se ele tivesse ouvido the reign of kindo direito, ele teria aprendido que antes de atirar você deve mirar primeiro. se ele entender, ele não vai me ligar imediatamente depois para perguntar o que foi, e talvez, pela primeira vez, desabafo virará aprendizado.

sábado, 17 de novembro de 2012

O Hobbit

parece, sempre, fim de namoro.
às vezes é um alívio, mas muitas vezes é uma dor ruim. vixe.
dessa vez eu já sabia que ia ser assim, desde a primeira linha. afinal, é tolkien.

reli "o hobbit" esses dias. quer dizer, esses meses, mas só terminei há poucos dias.
foi interessante, e dizer adeus foi pior que da primeira vez. a maior diferença foi que bilbo, ao invés de ir em sua própria aventura, comigo em sua cola para saber o que iria acontecer, parece ter segurado minha mão dizendo: "vem comigo aprender umas coisas."
na verdade, acho que o mais certo seria dizer que gandalf disse: "vai com ele aprender umas coisas."
é...ele falou pra mim, ele me chamou, ele insistiu mesmo diante de minha recusa. finalmente Gandalf conseguiu que eu fosse.
e ai bilbo foi também. mas ele me ultrapassou...ele foi na frente e cruzou florestas, subiu montanhas, desceu até as profundezas, ganhou um anel, fugiu do inimigo, se viu sem o mago por perto, se sentiu sozinho com 13 anões do lado, ficou invisível [muitas vezes preferia assim, se salvou por estar assim], salvou os amigos umas 300 vezes, quis voltar pra casa todos os dias, sonhava com ela todos os dias, sentiu frio, fome, cansaço, caminhou meses, viu o mundo, enganou o dragão, ganhou um tesouro, abriu mão dele, voltou a encontrar o mago e no final, admirado porque todas as antigas histórias se tornaram reais, ouviu a seguinte coisa:

"Com certeza você não deixou de acreditar nas profecias só porque contribuiu em parte para realizá-las? Você não acha, não é mesmo, que todas as suas aventuras e fugas foram conseguidas por mera sorte, apenas em seu próprio benefício? Você é uma ótima pessoa, Sr. Bolseiro, e gosto muito de você; mas, afinal de contas, você é apenas uma pessozinha neste mundo enorme!"

é Gandalf. tem dia que a gente esquece que somos pessoazinhas de nada neste mundo enorme e achamos que somos o centro de todas as coisas. eu tenho muita vontade de voltar pra casa enquanto estou nessa aventura. todo dia eu penso em voltar, em minha cama confortável, em bolsão. e eu nem cheguei na floresta velha pra escapar dos throlls ainda, mas já sinto que, às vezes, você se foi pra resolver suas coisas no sul, me deixando só com um monte de anões. ou pior, parece que às vezes eu pulo direto pra dentro da montanha, pra um túnel escuro, armada apenas com um punhal que brilha. só que é aí que penso exatamente o que bilbo pensou:

"Voltar?" pensou ele. "Não adianta nada! Ir para os lados? Impossível! Ir em frente? A única coisa a fazer! Adiante, então!"

tem vezes que eu não tenho a menor ideia do que eu vim fazer aqui...e parece mais que eu vim perturbar, atrapalhar a vida das pessoas. tem dia que eu faço as pessoas que eu amo chorar. na minha cabeça não há motivos pras pessoas não pensarem que eu deveria voltar ou que eu nunca deveria ter vindo junto com eles. só que você não pensa assim, Gandalf. você diz:

"Eu o(a) trouxe, e não trago coisas que não são de utilidade."

você sabia que bilbo não ia voltar o mesmo. que ele iria crescer. você sabe que eu estou crescendo. mesmo pequenina, mesmo de um lugar insignificante, mesmo tendo te convidado apenas para uma coisa agradavelmente besta como um chá, achando que tinha todo o tempo do mundo, você marcou minha porta porque sabia.  e essa marca mudou minha vida.

aprendi muito com bilbo. aprendi que sair da confortável vila dos hobbits não é fácil, principalmente sem um lenço, sequer, no bolso. descobri que eu mal saí do dragão verde e acabo de avistar uns throlls...
mas o maior aprendizado de todos foi finalmente entender bilbo...
...que bilbo sou eu.

O Hobbit -  J. R. R. Tolkien

hoje, cinco meses que eu não durmo na minha cama, resolvi terminar de desfazer minhas malas.
ironicamente, o amor da minha vida não está por aqui, está pra lá, no calor.
como se não bastasse tudo isso, eu invento de escutar a música que me faz lembrar, no couro, do tempo que era o contrário.
num paradoxo, sinto-me estranhamente bem. isso é, positivamente, Deus e sua paz que excede todo entendimento.
vou aprender (d)nela também.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

dois anos.

Blog de dois anos. Eu sempre esqueço ou não consigo escrever no dia 01 de outubro...

hoje foi dia da república.
dia de ateliê.
dia com amor.
da saudade.
de estudar.
dia de shakespeare.
de humanidades.
de procrastinar a faxina pra amanhã.
de tocar violão pra Deus.
de chorar recife mais uma vez.
de odiar junto cazamiga.














um dia bom.


sábado, 13 de outubro de 2012

formspring de Deus

- Deus, eu cansei. não quero mais perseverar. o que eu faço?
- Persevere.

...droga.

domingo, 7 de outubro de 2012

Verter-se para dentro


Deus me dê sabedoria.

Então assim se dão as relações humanas...
Estive pensando: por que estou indo a um psicólogo? Porque preciso conversar.
Que interessante, não? Principalmente quando você vive numa sociedade, ou comunidade, relacional. Mas que relacionamento é esse? Do bom dia? Do boa semana? Do bom domingo?
As relações se tornaram exatamente isso daqui. Um blogger. Uma grupo no facebook. Um sms.
E assim que você chega em casa, todos estão ligados em algum tipo de parafernália tecnológica, preferível em detrimento a uma conversa. Como ouvi esses dias na aula, usamos isso para fazer barulho, para evitarmos aquela coisa difícil que é conversar e se exteriorizar.

É. Eu preciso de uma psicóloga. Ela é obrigada a me ouvir. Eu estou pagando. O relacionamento  reduziu-se ao consumível. Desculpe-me, me equivoquei... Isso não pode ser relacionamento.

E apesar de estar cada vez me irritando mais e mais com isso, ainda assim é minha única ferramenta relacionamental. Todos os relacionamentos que tinha, e tenho, de conversa tem se resumido a isso. Quando você de fato encontra as pessoas elas sorriem, ela te dão bom dia, elas são legais contigo. Elas até te dão coisas, mas não há tempo para o aprofundamento.  Quem elas realmente querem se relacionar, perto ou longe, preferem se encontrar numa tela. É mais legal.

Estava conversando com a tal psicóloga e eu vi meu mundo ruir quando ela me considerou introvertida. Eu pensei: "não. Impossível. Eu sou tão espontânea". Sim, espontânea, não extrovertida. Mas pensei direito nessa palavra e sobre mim. Intro-vertida, vertida para dentro. Não tímida, não calada, não quieta. Vertida para dentro. Sim, eu brinco, falo alto, me exponho demais...mas sou introvertida. Eu estou dentro e não saio. Exceto, quem sabe, nas muitas vezes que transbordo. Mas aí só saem lágrimas. E aqui. Na minha particular parafernália tecnológica.

E eu sinto toda a força desse isolamento tecnológico hoje. Eu não estou acostumada a ele. Eu estou acostumada a muita gente junta, jantando junta, conversando à noite antes de dormir. Estou acostumada a carinho. A apagar a luz e, de tanto rir, demorar uma hora ainda para dormir. Eu estou acostumada a brigas do nada por causa das muitas opiniões divergentes, mas resolvidas imediatamente [ou não]. Estou acostumada a falta de internet e televisão a cabo, e ter apenas cds velhos, tias, grama e cachorros para passar o dia. Se Deus permitisse eu trocaria tudo por isso novamente, mas acho que não.

Então, verto-me para dentro junto com todos os outros que se vertem para dentro. E assim vivemos nossas relações virtuais.

Interessante notar que nem é tão difícil sair para a vida real. O problema é que você fica só aqui fora porque todos estão sós lá dentro. Me irrita querer sair do facebook pra sempre e não poder porque meus amigos estão todos lá e não aqui. Me irrita por que isso reflete na vida cristã irremediavelmente e ninguém nota. Só os velhos se salvam. Eu não tenho chance? Não há salvação para essa geração que me pariu, que é completamente apática. Que não vai deixar nada marcado na história. Que está total e completamente entorpecida por essas telas brilhantes cheias de nada.

Às vezes fica tudo tão solitário que o muito parece cheio de vazio. Um monte de carros e casas e quartos e paredes e padarias e mercados vazios...

Só há cachorros na dogtown.
Só há melodias na igreja.
Só há quartos na casa.
Esperança há. Não na vida.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Da sedução.


Escrevi este texto em 15 de abril desse ano para tentar explicar o turbilhão de coisas que se passavam pela minha cabeça. Talvez hoje eu entenda algumas coisas melhor do que em abril, mas o turbilhão não parou. Gostaria muito de gerar crises nas outras pessoas com esse texto, apesar de crises não serem nunca agradáveis. Mas sei lá, as crises movem as pessoas, as tiram da anaestesis em que nos enfiamos todos os dias por não mais aguentarmos o atordoamento causado por elas. Talvez ninguém entre em crise. No mais, é só a realidade que vivo...e que me angustia. Talvez as pessoas próximas de mim me entendam mais. Só um pouco.

Da Sedução

Recife, 15 de abril de 2012.

Finalmente eu entendi uma coisa importantíssima: o que é Reino de Deus. E entender isso me fez enxergar muitas outras coisas. O problema de enxergar tudo isso sozinha é, basicamente, me enganar por falta de aprofundamento, o que eu julgo acontecer por ainda ser “jovem” na fé. Pelo menos por enquanto. Cabe a mim, evoluir nesse sentido. 
Enfim.  
Meu raciocínio começou com Marcos 10: 17-27. Quando o homem rico pergunta a Cristo o que ele precisa fazer para ter a vida eterna. Jesus basicamente fala que ele precisa entrar no Reino de Deus. Eu não entendia isso antes porque eu pensava que Reino de Deus, Céu e vida eterna eram a mesma coisa.  No PG que participo, as meninas viviam falando sobre como elas faziam para viver o Reino de Deus, e eu nunca entendia! Não fazia sentido. Mas me deparei com essa passagem num culto de domingo. Eis a importância de lápis e papel nos cultos. 
Foi muito interessante o que aconteceu nesse dia, pois eu lembro de que me atingiu muito forte o que o pastor falou: “...a idolatria não se restringe a divindades e entidades. Você pode ser idolatra do dinheiro, das coisas materiais, da sua beleza. E naquela semana eu tinha ficado muito deprimida pela minha falta de dinheiro. Mesmo Deus tendo me falado claramente que eu esperasse e confiasse Nele, ou seja, me convidando para participar do Reino. Eu era o homem rico, só que sem a riqueza. Eu estava confiando no dinheiro que eu não tinha. Eu estava sendo idólatra.  
E foi quando o Reino de Deus fez sentido para mim. 
Jesus nos mostra, entristecido até, que tinha diante dele um exemplo comum, muito comum, e ouso dizer que hoje, na atualidade, é mais comum ainda. Um homem rico, um burguês, ou mais modernamente falando, um homem da “classe (média) alta”. Ele não consegue se desprender das suas coisas para confiar em Deus. Penso como, talvez, hoje em dia isso seja mais difícil ainda, após todas aquelas mudanças que a sociedade sofreu. Que as fez muito mais necessitadas de coisas que, de fato, elas não precisam. Que as fez mais luxuosas, mais supérfluas. E eu ressalto o “mais”, porque isso existe muito antes do capitalismo. Capitalismo que as fez acreditar que precisam de um emprego, porque elas precisam de dinheiro, justamente porque elas precisam de todas aquelas coisas que o mundo está oferecendo. 
É quase impossível não entrar no esquema do mundo. Muitas vezes a pessoa não se vê dentro do esquema, não se considera dentro dele. Mas volta e meia você vê essa mesma pessoa no facebook escrevendo na legenda de um aparelho de celular ultramoderno: “Necessito!” Não, o celular dele(a) não é  velho, não está quebrado, mas existe um mais novo ainda. E ele, ou ela, o quer. E mais, ele(a) não quer apenas aquele celular novo, ele(a) quer ter sempre a possibilidade de, caso saia um mais novo ainda, poder trocar de celular novamente. E para isso, quanto mais ele ou ela ganhar em dinheiro, melhor. Melhor sua vida será. Mais feliz ele ou ela será. Mas quem ditou essa necessidade? Quem disse que ele ou ela necessitam de todas essas coisas? Do mais novo o tempo todo? Que felicidade é essa?
É uma ganhola que entramos voluntariamente. 
Eu arrisco dizer que o diabo encontrou uma estratégia sutil, sedutora, veloz e progressiva. 
Tanto no dinheiro, no sentido de ter coisas, como no conhecimento, no poder. A frase do Francis Bacon, “Saber é poder” que repercute até hoje. É um eco quase imperceptível, quase impossível de identificar para quem já não mais se pergunta de onde ele vem, mas ele está lá. Então, o homem é seduzido também a entrar nesse mesmo esquema, sentindo a necessidade de saber mais, de ter mais conhecimento, de ter mais poder. Mas eu suspeito que essa estratégia não tenha apenas uns poucos séculos. Será que ela não vem de muito antes? Será que não foi dessa mesma forma que o homem foi seduzido a entrar no pecado?  
É a serpente no Éden. 
Deus, na sua sabedoria, proibiu o homem de comer o fruto de uma árvore. Havia milhares de árvores, mas o fruto desta o levaria à morte.  
Meu medo é justamente essa interpretação. O fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Trazendo isso para os dias de hoje, o que temos como frutos do conhecimento? O conhecimento dá poder! E não dizem por aí que o poder corrompe? Não sei se isso é regra, mas talvez torne a pessoa mais corruptível. Ela tem mais possibilidades de corromper-se, e aos outros, que quando não tinha poder algum. Poder no sentido de lugar de fala, de controle, de posição social, detentor de conhecimento.  [Gandalf, em "O Senhor dos Anéis", sabia mais, e se recusou a ser o portador do anel. O portador do poder.]
Mas quando Deus falava de morte, ele não se referia à morte imediata da carne. Até por que, Deus não mente, eles comeram o fruto, e não morreram. A serpente sabia disso. Sabia que a morte seria a consequência da decisão do homem. De conhecer o bem e o mal. 
Essa semana eu vi um vídeo de um pastor chamado Josemar Bessa. Nele, o Pr. Josemar fala que o homem morre porque ele não sabe lidar com o conhecimento do bem e do mal, e por isso o homem não é livre. Por isso, só Deus é livre. Mas lembremos de que entramos na prisão por escolha nossa. Voluntariamente. E até hoje o fazemos. 
Interessante perceber que, observando essa dinâmica em uma perspectiva sem Deus, a prisão não desaparece. Eu diria que se torna, apenas, inescapável. Continuamos presos. Diferente do que o Pr. Josemar cita do Jean Paul Sartre: “Se Deus existe, eu não sou livre. Se eu sou livre, Deus não existe.” Se Deus não existisse (deixando de lado todas as lógicas que isso origina), e nós estivéssemos exatamente como estamos agora, eu não vejo liberdade alguma. Seriamos escravos de um sistema que só funciona se nos submetermos a ele. Presos a uma vida que só funciona, que só nos aceita, se nos submetermos a ela. Uma vida que nos dá uma única opção para vivermos nos modelos de conforto que ela própria criou: subjugados a ela. Só vivemos numa sociedade se formos limpos, tivermos moradia, tivermos erudição em alguma coisa, se tivermos algo para oferecer para o mercado; então seremos colocados em nossas respectivas posições sociais, nossa “classe”, dependendo da quantidade de coisas que possuirmos, e tudo isso controlado por dinheiro. Eu ia dizer papel, mas hoje em dia o dinheiro é criado e some antes mesmo de virar papel. Se você não tiver dinheiro, é marginalizado; se você não quiser dinheiro, é marginalizado; se você não gostar de dinheiro; é marginalizado e taxado de louco. 
Bom. Nesse sentido, se você é chamado de louco, significa que, provavelmente, você está fazendo alguma coisa certa. O Plano de Deus é considerado “loucura”.  
Estudando um pouco sobre renascimento, eu pude ver que foi aí que o capitalismo ganhou nome. Para mim, foi a bola jogada do topo da colina, que saiu rolando desenfreado. Mas essa bola sempre existiu. Pensei nisso quando lembrei da sedução. 
Adão e Eva foram seduzidos a comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, para serem como Deus, e ter o conhecimento que, até então apenas Deus detinha: distinguir o bem do mal. A própria árvore era sedutora. No versículo 6 do terceiro capítulo de Gênesis, Eva repara na beleza da árvore, que a fruta era agradável ao paladar e atraente aos olhos. E ela só nota depois que a serpente apontou. Por intermédio do Diabo. 
Judas foi seduzido a trair Jesus, por trinta dinheiros. Por intermédio do diabo. 
 umas semanas atrás, eu vi um filme francês chamado “A beleza do diabo”. Trata-se da história de Fausto. Aquele que foi reproduzido nas representações de tantos autores, mas se tornou clássico através do Goethe. 
No filme, Fausto era professor, velho, tinha todas as honras da universidade, mas estava ao fim da sua vida e percebeu que sua pesquisa jamais seria finalizada. Ele pesquisava uma maneira de produzir ouro a partir da areia. Ele era alquimista. Então, o diabo, Mefistófeles, aparece para lhe fazer uma proposta: a juventude que ele precisa para terminar sua pesquisa, o que, consequentemente, lhe daria fama e fortuna (e mulheres), o que Fausto considerava ser a Felicidade. A Felicidade em troca de sua alma. 
Sei que o filme/livro/mito usa da alegoria para passar a mensagem da perfectibilidade. Que para muito não passa de uma alegoria e que a real problemática da perfectibilidade é o homem, assim como pregava o renascimento: no foco, no centro, começo, meio e fim. 
Eu não creio em coincidência. Não é coincidência o diabo estar nas três situações, como intermediador. A primeira seduz com o conhecimento, a segunda com o dinheiro, e por fim, em Fausto, temos a combinação das duas. A primeira destronou Deus como a soberania do conhecimento, a segunda traz o dinheiro como mais valioso que Deus, e o terceiro, o homem é detentor do conhecimento, criador do dinheiro, e dono e causa de sua própria felicidade.  
Por isso eu me questionei sobre essa árvore do conhecimento. 
O que será o conhecimento do bem e do mal? Será a própria noção de que se é corruptível se o permitir, ou vai além? Vai ao encontro do que vi em Fausto: conhecimento do mundo, das coisas, da sabedoria humana, da construção do conhecimento e do pensamento, da filosofia, da matemática, da física, da biologia? O conhecimento dos meios de controlar a natureza, de controlar as pessoas? O humanismo do renascimento? O que temos hoje? É uma dúvida sincera. Enxergo muitas semelhanças. E eu não consigo separar o humano do espiritual quando se trata desse “esquema”. Não mais. 
E aí eu cheguei naquele ponto: 
Paulo fala, em sua carta aos Filipenses, que morrer é lucro, pois ele vai estar com Cristo. Eu quase enlouqueci quando vi isso. Porém, ele fala mais: que se para Deus é melhor que ele fique aqui para ganhar pessoas para Cristo, diz já não saber mais se é melhor morrer ou viver. 
Disso eu entendi que é como se ele precisasse estar no meio das pessoas que estão neste esquema para ganhá-las para Cristo, ou seja, estar neste esquema. Você nunca vai ganhar pessoas para cristo no meio de cristãos (considerando que todos eles estão verdadeiramente em Cristo). Eles já estão ganhos. Deus o queria inserido no sistema. Meio matrix. O que, na verdade, faz muito sentido. No filme, a cidade em que todas as pessoas acordaram, se libertaram do sistema, que veem a matrix como o que ela é, virtual, ilusão, mentira, se chama Sião. E essas pessoas vivem perseguidas, protegendo Sião, ou Zyon, mas sempre resgatando mais e mais pessoas da matrix.  
Deus nos quer como em matrix. Nos quer lá dentro, para um propósito maior. Mas da mesma maneira como em matrix, ele nos quer enxergando tudo, enxergando a farsa que ela é, a prisão que ela cria, vendo as pessoas presas e enganadas e tirando elas de lá. É sinceramente atordoante. 
Isso faz sentido? Eu estou ficando louca? Hehehehe Parece muito uma teoria de conspiração, mas fico pensando que acreditar que não há conspiração qualquer, seja no humano ou no espiritual, parece ser ingenuidade.  
Enfim...era isso. O meu problema é estar pensando em todas essas coisas, que para mim fazem sentido, e começar a falar isso por aí sem ter um embasamento bíblico, histórico, etc etc...E acabar falando e fazendo besteira. Considerando, novamente, o fato de eu ainda ter um conhecimento muito raso. E se tudo isso for loucura, eu prefiro que me digam logo, porque eu paro de me estressar com isso e vou pensar em coisas menos tensas para passar o dia.  

segunda-feira, 25 de junho de 2012

cartas de são paulo #1


Eu tenho relutado esses últimos dias a parar para escreve algo, mesmo sendo cobrada por updates por algumas pessoas . Inicialmente eu me dava a desculpa de estar cansada, doente, ou qualquer coisa. Depois foi mais ou menos o fato de que escrever necessita de todo aquele processo de redação e revisão e rerevisão para evitar aquelas errinhos que nos fazem "paçar" vergonha. E mais tarde porque eu realmente não queria escrever, porque não queria preocupar ninguém, porque me lembraria da saudade que sinto o tempo inteiro, porque lembraria as pessoas da saudade que elas sentem o tempo inteiro. Ultimamente, nem facebook tenho tido vontade de entrar. Acho que pelos mesmos motivos. Eu não sei lidar muito bem com saudade. Acho que cronicidade não facilita, nem ensina. Afinal, acho que fuga não é uma maneira muito digna de se lidar com a saudade.
Enfim, saudade. Lembro e penso em todos. Lembro que devo a todos. Não no sentido de dívidas. Não que eu deva satisfações. Talvez para algumas pessoas que provavelmente não estão nem aí pra essas satisfações, mas pensam na mesma saudade de que fujo. Pensei em escrever uma carta para cada um, individual, mas peço que perdoem meu coração. Ele não vai aguentar. Então nessa primeira vez, ao som de "up with the birds" do coldplay, eu escrevo a todos vocês.



A minha primeira semana foi muito difícil para mim. Não que tenha sido a maior dificuldade do universo que ninguém jamais superará. Na verdade, eu tenho plena consciência da responsabilidade de Deus em muitos dos aspectos que facilitaram as dificuldades. Para quem não sabe, eu cheguei em São Paulo com muita febre, dores no corpo, tosse, enfim...doença. Foi difícil não lembrar da minha mãe e do caldo de galinha que ela faria para mim. Foi difícil não sentir saudade do calor que, de certa forma, não piora nem complicaria minha covalescência. Foi difícil não sentir saudade da minha cama, do meu lençol velho, da minha camisola frouxa e leve de verão que uso em todas as estações do ano. Usava. Então, os primeiros dias eu não consegui disfarçar meu sofrimento. Na quarta à noite, dia 20 de junho, eu não me reconhecia. Meu rosto estava exaurido, trágico, inchado e triste. Sei que todos notavam e volta e meia eu não conseguia empurrar as lágrimas de volta.  Em todo esse tempo de dor no peito, nebulização, voltas ao médico, antibióticos e pulmão cheio de secreção, eu perguntei a Deus o porquê. Deveria haver um porquê. Eu ainda nem sei, visse. Eu sei que um dia eu li que meus sofrimentos acabariam, que havia pago o dobro dos meus pecados. Hauhuaha Ai, isaías tem dessas coisas. Eu fiquei meio indignada com o fato de em toda minha vida, nunca ter ido para o hospital por causa de gripe. Nem tomado antibiótico por isso. E uma semana em São Paulo, sem todos aqueles remédios de sítio de Recife, eu havia ido duas vezes. Havia visto preocupação na cara da médica que auscultou e não ouviu nada, e diante de minha insistência e uma radiografia depois, se deparou numa desgraça que eu não sei se fiz bem em não querer ver.  Enfim, um dia desses eu tava bem mal, ai eu perguntei pra Deus: "Cara, sério mesmo que eu vim pra cá só pra morrer de gripe? Esse era o grande plano? Eu não podia morrer perto da minha mãe que poderia me velar, ou algo assim? Misericórdia, meu Deus. Nem de brincadeira. Minha mãe não merece isso nunca mais."

Enfim, 5 dias de 40 mg de prednisolona, azitromicina, loratadina e um xarope doido, eu estou melhor, mas ainda ouço e sinto as ''borbulhas de amor'' no pulmão em lugares totalmente novos. Sabe aquele lugar do pulmão que você nunca deveria sentir? Pois é, Fagner faz a festa lá. Ao menos vale a piada.

Ainda assim, minha maior preocupação era não preocupar minha família que está longe e não podem fazer nada. Mas pessoal, estou bem! Prometo. Consigo até ver umas coisas boas de tudo o que passei. Não falarei delas agora.

O João me ajudou tremendamente. A família dele foi(é) maravilhosa. Desde preocupação mesmo até oferecer a casa para que eu passasse o dia lá. Tá que é a casa mais gelada do oeste da 5 maior cidade do mundo, sei lá. Mas me salvaram em muitos níveis, sentidos, graus. Acho que se tudo tudo tudo der errado nas outras coisas, ainda saio de tudo com um grande "lucro" que é, senão ao menos ter conhecido gente tão boa nesse mundo!

Eu estou morando num quarto que fica numa casa onde funciona uma associação que cuida de crianças carentes, vinculadas à Igreja Batista da Vila Pompéia, prefeitura, etc etc. Eu vou procurar saber mais sobre a instituição para falar para vocês. Sei que o trabalho é muito lindo. Sim, é bem barulhento durante o dia, claro, crianças, né. Mas com todos os "poréns", tem sido, no mínimo, uma experiência muito boa. Enfim, o quarto é uma delícia. É muito menos frio que a casa do João, e ele, junto com a mãe dele, e creio que outras colaborações, o fizeram ficar muito aconchegante. O banheiro que usamos tem um chuveirinho com uma banheira, que me dá um medo danado de escorregar, e que, assim que se desliga a água quente, você sente o abraço ártico. Hhahaha Isso é bem gozado, mas meus pulmões não curtiram muito. Por sorte, lá em baixo, tem outro banheiro com box que segura o calor um pouco mais. Pelo menos enquanto melhoro, acho que seria prudente não me entregar ás paixões dos dedos gélidos desse banheiro daqui de cima. Outro dia a gente se entende melhor.

E sim, o frio. Todo mundo falar que o frio nem começou. Bom, eu comecei a reclamar. Me dizer que o frio nem começou não faz esse frio ser menos frio. Como disse Maina hoje, reclamar não ajuda em nada, e o João endossa essa parte, mas ela também me ensinou que alivia! Né não? Xingar sempre alivia os nervos. Xingarei o frio enquanto viver. Não ficarei quente, mas me sentirei mais aliviada. Huahuha. Moisés disse para a gente parar de reclamar. Ok. Mas prometo, Moisés, que é um xingamento inocente. Daqueles só da boca pra fora. Prometo que não é ingratidão.

Sobre o zoológico, eu passei a prova, falta o currículo e a entrevista. Honestamente, eu ia dizer que estou dividida. Mas não estou não. Deus está no total e completo controle disso. Se não der, ótimo. O que me irrita é um pouco o fato de, como ainda não sei de nada, não tenho feito nada no sentido de um plano b. Acho que vou me ater a comentar apenas isso. Estou totalmente em paz com todos os planos que eu nem conheço ainda. Essa paz não é daqui. Deixarei-vos-ei atualizados com maior fidelidade com relação a isso.

Roupas, tenho poucas. Hoje, passei diante do uma caixa da campanha do agasalho, no metrô. Pensei: "cara, tenho que doar alg...Nem eu tenho agasalho direito. Não posso doar! Hahhahah " Eu ri da pequena tragédia, mas a culpa é inteiramente minha. Eu tenho dinheiro, graças a Deus, só me falta ir comprar em lugares baratos, mas um dia eu doarei. A Campanha do Agasalho, por si só já é muito louco pra minha cabeça, vinda de uma zona tropical, onde as noites são amenas, sempre, e a água morna, e os coqueiros, e o céu azul... Ok. Parei.  O que me lembra....Sábado a gente foi no cinema. Vimos um filme chamado "Febre do Rato", que se descreve como sendo um retrato poético do Recife. NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO! Só isso, Cláudio de Assis, NÃÃÃÃÃÃÃO pra você. Verti duas lágrimas nos primeiros dois minutos, mais de saudade do que de tudo, porque mostrava o Centro do Recife. Mas a emoção e a parte interessante e não-traumatizante do filme para por aí. Não nego que seja um lado do recife que deve, de fato, existir. Mas essas porcarias existem no mundo todo. Aposto que Amsterdã é 300 vezes pior e ninguém fica fazendo filme dizendo que é poesia. Poesia é outra coisa. Enfim.

Hoje eu realizei um pequeno sonho, pouco mais de um ano depois. Eu gritei "independência ou morteeeeee..." nas margens do que me parece ser o que sobrou do rio Ipiranga. Hoje um canal. Triste. Mas muito bonita o parque da independência, o monumento grandioso que te coloca no lugar de "foi aqui que o Brasil aconteceu há muitos anos atrás.". O museu paulista é muito bonito, por fora, né? O parque na frente é  realeza. E sim, todas aquelas, hoje não mais tão sutis, influências maçônicas por todos os lados eram muito interessantes e, se me permitem, um pouco opressores.  Legal mesmo foi fazer esse passeio com um historiador que não sabia de nada de nada daquilo. Hahahahah

Para satisfazer meu vício e suplantar minhas expectativas, vi jandaias-maracanãs brigando,  rindo, voando, escandalizando, xingando, para um lado e para o outro naquele parque. É interessante como eu sou pateticamente satisfazível [existe essa palavra?]. Me valeu tudo até agora, só ver aqueles bichos que conheci em gaiolas a tantos km de distância, assim, brincando num dia comumente cinza.

Agora a noite eu fiz um monte de coisas. Coragem de tomar banho, por incrível que pareça, só tenho à noite. Aproveitei pra fazer um monte de coisa, enquanto ainda estou fria. Lavei roupa (que baste apenas dizer que não farei novamente do mesmo jeito, mas valeu a experiência), lavei o cabelo, tentei salvar uvas mofadas do lixo... isso depois da meia noite. Os tantos anos de prática de vida noturna em casa me valem. De manhã não tenho um pingo de coragem para nada disso.

Enfim, não foi breve. Foi a semana mais lenta, lerda, igual, arrastada de todos os tempos. Mas se tem uma coisa que aprendi com experiências difíceis é que a gente nunca se sente aprendendo durante o processo. Geralmente a gente só se enxerga mais forte, mais maduro, maior até, depois de tudo.
Eu tenho algo que já é bem importante: convicção. Tem alguma coisa que eu tenho que fazer. Então tá tudo certo. Sei que não é uma aventura "uhul vou pra cidade grande". Se fosse para escolhe, muito provavelmente eu não sairia da quentura fácil, constante e tranquila de Recife. Não abriria mão dos "sun dresses" a qualquer dia do ano inteiro. Das gostosas noites de 27°C passeando com kika no térreo do meu prédio, olhando a minha lua preferida naquela curva escura do estacionamento. Do meu quarto só meu. Pensa que eu não pensei em nada disso? Muito pelo contrário, antes não tivesse pensado. Teria sido mais fácil. Mas sim, sinto falta. Da chuva, na qual dá vontade de se banhar só de brincadeira, porque ela é morna. Saudade do morno. Daqueles que entranham na própria vida, nas próprias pessoas.  Vai que eu vim trazer o morno.

 Por enquanto, para sobreviver, permito o eco das palavras sábias da professora Rozélia em meu coração: "Tem gente que não consegue sobreviver São Paulo porque não tira Recife de dentro delas. Mas para você sobreviver, você tem que tirar! É necessário." Eu entendi o que ela quis dizer. Não vou matar o Recife do meu coração, nunca. Mas tenho que dar lugar para São Paulo, que tem coisas apaixonantes, até mesmo no frio.

Quando eu souber como é isso, eu conto pra vocês.

terça-feira, 29 de maio de 2012

...tsc

Foi-se o tempo em que eu sentia qualquer alívio em escrever aqui, em papel, em caderninho, em parede. Sou cólera pura e não prevejo nenhuma melhora no desabafo. Descobri que entre a alienação e o radicalismo existe uma tempestade preta, barulhenta, confusa e ridícula. Ruge o dia inteiro. Daquelas que nem pra molhar a terra serve, só pra desajustar o dia das pessoas. Só cria ozônio. Nesse caso, couro.
É assim que a suzanna tamaro fala que nós, jovens, vivemos. Nos enfiamos dentro de uma couraça para não sofrermos. Que nossa cabeça funciona como um rádio que vem de brinde em caixa de sabão em pó: mostra todas as estações que existem, mas só pegamos no máximo uma ou duas, o resto fica zumbindo ao nosso redor. E essas uma ou duas estações são basicamente um monte de palavras e palavras e palavras que embolam tudo. Porque, sinceramente, sem essa couraça passaríamos o dia inteiro chorando...Estava lembrando do admirável mundo novo e como ele se define como "cristianismo sem lágrimas". Eu acho que ele queria dizer felicidade. Cristão feliz tem que chorar. Deve ser por isso que eu chorei hoje da quarta hora de espera numa clínica de diagnóstico por imagem. Digo o nome: UltraImagem na rua Amélia em Recife.

Cheguei 10 da manhã para ouvir a mulher dizer: acabaram as fichas, só às 12h. Eu na minha ingenuidade, fui gastar as duas horas pra chegar às 12h e ser atendida logo! Acontece que pegar a ficha não quer dizer necessariamente que você será atendida às 12h, amiga. O médico só chega às 14h! ......... Outra recomendação: 'olha, a partir das 13:30 comece a beber água. Uns quatro copos.' Ok! Para encher a bexiga, o médico ver melhor. Nisso eu penso que veterinário é o foda mesmo! Como pedir pro cachorro, gato, bode, vaca beber 4 copos d'água e segurar pra gente poder ver melhor? A gente vê com a bexiga vazia mesmo, moço.
-13:30h eu já tava querendo ir no banheiro mas segurei, afinal, não tava apertada e 14h o médico iria me atender!
-14h chegou, eu estava arrepiada há uma hora de frio e de aflição.
-Quando deu 14:30h, eu estava com dor! Literalmente dor! Cheguei numa das "simpatissíssimas" atendentes para dizer: moça, eu não estou brincando quando eu digo que vou morrer!! se não for no banheiro logo. Vai demorar muito? Ela me responde: "Qual o seu nome? Ah, Maria Clara, você é a próxima, ele vai começar a atender agora!"
Como assim??? Não era às 14h??
-15h ouço, em meio ao torpor cerebral gerado pela dor, algumas mulheres começando a reclamar e a estranhar o fato de elas estarem esperando a tanto tempo quanto eu e não terem sido atendidas ainda. Nesse meio tempo, eu corri no banheiro e fiz metade do xixi que eu tinha. Afinal, tinha que ter a porcaria da bexiga cheia. Começar doeu, e parar mais ainda. Isso foi uma proeza. Tenta parar de fazer xixi na metade! Não senti alívio, mas a dor diminuiu um pouco. A aflição não. Voltei e me sentei numa escada perto do consultório, tremendo e tentando sofejar harpejos aleatórios bem baixinho para tentar tirar minha mente da dor. Eu tremia muito e ouvia as mulheres ainda reclamando. Então eu comecei:
"Esse pessoal aqui não trabalha com saúde. Porque se eles soubessem o que é SAÚDE, eles não tratariam as pessoas assim. Nem veterinário trata cachorro assim."
Elas me perguntaram se eu estava bem, e eu disse que desde 13 da tarde que quero ir no banheiro e não posso, que só estava aguentando porque amanhã vou passar por mais outra espera desumana dessas pra ouvir minha ginecologista me dizer que remédio eu tomo para minha dor menstrual parar, mas agora tudo o que eu queria era ir no banheiro...e aqui eu não aguentei. Comecei a chorar. Desesperada e com vergonha, meti as mãos nos olhos tentando enfiar as lágrimas pra dentro. Como é que pode a pessoa ter um banheiro do lado, sentindo dor porque mandaram ela não esvaziar a bexiga, pedir ajuda a atendente [que nem olhou na minha cara], chorar porque quer fazer xixi e não pode!? Se isso é saúde, eu prefiro ser doente!
Me acalmei, e baixei a cabeça tentando me concentrar pra não fazer xixi ali mesmo. Um monte de mulheres grávidas em pé sem ter lugar pra sentar, esperando a um tempão, morrendo de frio porque nem noção da temperatura do ar condicionado aquela "maravilha" de atendimento tinha.
Deu 15:30h eu não podia mais. Mandei todo mundo se danar mentalmente e fui fazer xixi. Ironicamente, dei descarga e a mulher chamou meu nome. Pensei: "ótimo! é agora que eu faço meu manifesto. Vão ter que fazer minha ultrassom com minha bexiga vazia! Quero ver se é deus mesmo." Quando saí, uma das grávidas estava falando meio angustiada: "qual seu nome? Chamaram você!!!" Eu respondi que tinha escutado, e calmamente fui lavar minhas mãos, sem pressa. Àquela altura, eu não tinha pressa pra mais nada na vida.
A atendente já estava chamando a próxima e eu falei que ainda estava ali. Como ela me viu saindo do banheiro, perguntou: "Está com a bexiga cheia?" Eu respondi que não. E ela sem mais cerimonias disse: "beba quatro copos de água e aguarde."
...
Cara...............
"Não!" Respondi. "Vou fazer de bexiga vazia mesmo. Não vou esperar mais não. Estou querendo ir no banheiro desde 13h da tarde!" Ela não respondeu, mas acentiu. Ela não tava nem doida de dizer não.
Ai eu pensei que aquilo tudo era uma idiotisse mesmo. Ninguém alí tem a mínima noção do que está fazendo. Não eram robôs desumanizados não. Eram ignorantes.
O médico me atendeu e, imaginem só!!!!!!!!, ele conseguiu ver meu útero com minha bexiga vazia!!!
Que merda é essa, velho??? É tortura? Eles tem prazer em torturar as pessoas e fazê-las pagar por isso?
Saí com dor de cabeça, vontade de chorar de raiva [é, alguma coisa me estragou de um jeito que agora eu sempre choro quando tô com raiva], sangue nos olhos, cólera nas veias, bili evaporada, um tantinho de intoxicação por retenção de urina, meus rins putos comigo, um mioma de 1,5cm de diâmetro e a certeza de que mês que vem vou menstruar com o ovário esquerdo.
Eu estou exausta. Não por causa do dia de hoje, mas por causa de tudo isso. Como ficamos igual as vacas, esperando passivamente os caras fazerem o que quiserem com a gente. As vacas, porém, tem a desculpa de serem animais domésticos. Oh, wait......

Geração de mariquinhas...

E no meio dessa tempestade você tem que arrumar um sentido. Porque: alienação é dizer "eu sou vaca e quero ser vaca até morrer. Ser vaca é confortável", e radicalismo é "let´s blow this shit!"
Nenhuma das duas resolve. Resolver? É piada pensar nisso. Não...não to afim de resolver porque resolver é um alvo que a gente tem que ter. Mas enfim, eu miro no "resolver" porque, ao menos assim, eu sei que não vou ser a assistente "supimpa" de alguém.

adeus.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

amor e os transportes coletivos #3

Lembra quando eu vi o amor no ônibus pela segunda vez?

Reencontrei esse amor em uma festa chamada "natal fake"em 2011. Cheia de gente canalha. Eu, claro, não me excluo disso. A gente se conhecia de facebook a um tempão já, só não sabia de onde.... e disso só concluí que o Recife é ovo.

Já pensasse?

Reecontrei o amor pela terceira vez.

A gente encontra o amor nos lugares mais inusitados.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

cartas de viena

Viena, 10 de maio de 2012.

Olá, minha cara. Como estão as coisas?
A verdade é que sei exatamente como elas estão. Por isso te escrevo.
Vejo muitas coisas acontecendo. Não aquelas visíveis como "a neve começou a derreter" (finalmente, devo acrescentar), mas coisas invisíveis. E sim, apesar de suas tentativas absurdas de esconder, eu consigo ver tudo! Conheço bem o seu coração. Então, querida, te escrevo, pois sei que é meu dever falar-lhe algumas coisas a respeito de todas essas coisas que vi e te peço que use sabedoria para entendê-las.
Primeiramente, criança, preciso que você desacelere. Você é tão ambiciosa para uma jovem. Mas se pergunte: se você é tão inteligente, porque você ainda está com tanto medo? Cadê o incêndio? Que pressa é essa? Melhor acalmar-se antes que se consuma por completo. Você tem tanto para fazer e apenas tantas horas em um dia.
Você sabe que quando a verdade é dita - que você pode ter o que você quiser ou apenas ficar velho - você vai desistir antes mesmo de chegar à metade. Quando você vai perceber que eu estou te aguardando?
Calma, você está indo bem. Você não pode ser tudo o que você quer ser antes do seu tempo. Muito embora eu reconheça que, hoje, seja muito romântico estar no limite.
É uma pena, mas é a vida que você leva. Você tem estado tão a frente de si mesma que você esquece do que precisa. Embora você consiga ver quando está errada, você sabe que nem sempre consegue ver quando está certa. Você tem sua paixão, você tem o seu orgulho. Mas você não sabe que apenas os tolos são e estão satisfeitos? Continue sonhando, mas não imagine que todos eles se tornarão realidade.
Tire o telefone do gancho e desapareça por uns tempos. Tudo bem, você pode se dar o luxo de perder um dia ou dois. Eu estou esperando por você. Viena espera por você.


Muitas saudades. Eternamente,

Seu.


[inspirada na música Vienna por Billie Joel]

quarta-feira, 9 de maio de 2012

tonta


'I´m like thomas doubting fingers
routing the scars
in your wrists and side
touching flesh will make my mind believe
but I want to be like david
throwing his clothes to the wind
to dance a jig in my skin
and be remade by your cleansing again'


amazing how those same old songs comeback to you completly different. 


dizzy -  sixpense none the richer.

sábado, 5 de maio de 2012

tempo a sós na bavária.

parece que quando a sissi - imperatriz da áustria em 1955/1956/1957 - fica triste, ela escuta seu pai e vai ter um tempo de qualidade consigo mesma dando um passeio contemplativo no bosque da bavária.

em 2012 a gente chama isso de tempo a sós com Deus.

[e por amor do guarda: eu não entendo por isso dizer que "eu sou princesa". NÃO.]

sexta-feira, 4 de maio de 2012

doenças...

mensal.
um vem, o outro vai, depois vem, e vai.
seguida de uma semana de ociosidade, que vem seguida de uma semana de ociosidade.
parece que passo meus dias a contar minhas doenças...
parece que virei todos os personagens do dostoiévski, que virei o coronel do gabriel garcia marquez.
minha imunidade tá tirando onda da minha cara.
eu acho que é falta de uns quereres. eu quero gostar das coisas de novo.
hoje eu só gosto das pessoas. nem todas.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

to you, my friend...


look at the sky. look the forever in blue. 
yes, look from those fields.
reach the horizon with your eyes, that line spliting everything in half.
you see, it is never ending.
but although it parts you, it makes you hope and dream and move forward.
take all the bagage you own.
this wont make it go away, but it will take care of you for the rest of your life.


i´m so sorry.
i´ll be praying.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Nem todo mundo viu.


Bom bom mesmo é tomar banho de noite em Recife.
Vinte e quatro horas que a caixa d'água fica fritando no sol, você tem água morna de graça.
É quase uma sustentabilidade. E o povo fica fazendo barragem num sei onde, fazendo os índios virar sem-terra/sem-teto/sem-oca pra ter mais energia elétrica. Fala sério.
E depois, é só se secar na brisa morna. Você nem sente frio nem precisa de toalha. Cinco segundos e você não carrega mais nenhuma gota de água no cabelo. Como é massa essa brisa morna de 27 graus celcius.
Praqueles que não sabem o que é vento, ou seja, aqueles que moram no meio de um milhão de prédios, que não dá nem brecha pra um tracinho de azul de céu avistar a terra que seja, vento é aquilo que vem de lá e passa pra lá. Carrega tudo: calor, folha, poeira, dinheiro, cuspe de nuvem e mijo de pombo.
E o céu azul? Dói nas vistas. Né todo mundo que já viu azul de verdade verdadeiro não. Só quem vem em Recife ou foi pra Foz do Iguaçu. Alí dói a mente.
Azul  de verdade é quando dá pra decalcar com os olhos as bordas das nuvens que pintam no céu. Né todo lugar que tem não. Nem em photoshop.
Enfim, vou alí lavar o cabelo enquanto é noite, que quando amanhece, nem sei o que acontece que a água vira gelo líquido. Deus me livre.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

go.

you should take a break.
you really should take a break.
work, work, and work. take a break from your mind.
be human. be racional.
take care of your body.
pray for yourself.
make some money.
make your deadline.
go.

terça-feira, 10 de abril de 2012

tudo pra fazer...nada pra vontade

eu abri a página do editor de texto pensando: faz tempo que não posto nada...
mas ai eu comecei a pensar que to suja, que tem um monte de mala no meio do meu quarto precisando ser desmalada, que eu ainda não dormi direito, que tenho que ler artigos, projetos, trabalhos, que não quero fazer nada disso e só quero tocar violão, que eu não sei tocar violão, que eu tenho um monte de coisa que eu quero falar pra todo mundo, que eu sei que ninguém vai entender nada, que alguém vai dizer que to falando merda ou heresia ou pecando contra Deus...
ai dá preguiça de fazer tudo e desisto.

mas meu último mês foi exatamente assim. mil coisas para fazer. tantas, que dava vontade de fazer nada. e assim eu perdi um mês e ganhei três quilos.



quarta-feira, 14 de março de 2012

felizes, satisfeitos, sorrindo...

É tudo mentira. Isso que estão te falando aí. Isso. Isso que está na sua cabeça. Isso que você acredita. É mentira. Mande parar. Saia. Não acredito nisso daí também. É mentira. Sua felicidade é de mentira? Então pare de acreditar em mentiras. Pare de mergulhar nessas mentiras que ele está te contando. Não é verdade. Você odeia a mentira. Porque está acreditando nelas? O que você quer? Você já sabe, já é claro. Então não dê ouvidos a isso. Não olhe a vida dos outros, é uma grande mentira também. Eles não tem nada! Esses que você olha. Eles não tem nada! Preste atenção na vida deles. De verdade...eles tem algo de fato? Eles tem a verdade? Não. Então pare! Pare de acreditar na mentira da vida das pessoas. Sabe o que não é mentira? Sua vida. Ela não é mentira. Ela é minha. Use-a. Use-a. Fale comigo. Pergunte-me a verdade. É mentira!!!!! Isso é MENTIRA! Você não guarda nada? Você não tem nada?  É tão ridículo pensarem que tem tudo. Vocês sequer tem alguma coisa. Tudo o que tem é quase nenhum tempo. E ignorância. E egoísmo. E burrice. Você rejeitam a verdade e vivem de mentiras. Vocês gostam de acreditar em mentiras. É uma brincadeira divertida, não é? Fingir é divertido. Mostrar mentiras é mais legal ainda. Crianças. Peças. Satisfazem-se com coisas, com seu próprio nome. Se o céu fosse grande suficiente, passariam o dia olhando seus nomes grandes em letreiros dourados. Rindo. Babando. Satisfazem-se com jogos eróticos que vocês mesmos planejam. Se destroem quase ao ponto de não conseguirem se reconstituir e voltam a fazer tudo de novo. Vocês não tem nada. Mas gostam de viver na mentira de que tem tudo.

sexta-feira, 9 de março de 2012

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

se olharmos ao mesmo tempo


foto por Rodolfo Coelho

O que me consola
é que sempre haverá
um ponto
em comum
no céu
para cada um de nós
olhar
e assim estaremos
no mesmo
lugar

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

foz


saudade daquele céu dolorosamente azul.
do meu tempo a sós com Deus no lugar de sempre.
daquele riacho que nunca conseguimos alcançar.
do caminho de pedras vermelhas.
do pássaro que Deus usava para falar comigo.
das incontáveis estrelas.
da noite clara.
do ônibus escolar.
da quadra.
da brita que cortava o caminho até o portão.
daquele desenho na lousa.
daquele espelho grande.
das nossas músicas.
de imitar os quero-queros e vê-los responder.
de ajudar a carregar as coisas.
de sentar no chão.
saudade de não sentir saudade de ninguém.
saudade de você.
xero

[por mensagem de celular. 20 de fevereiro de 2012]

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

São Paulo, 02 de janeiro de 2012

Em São Paulo,
Carregador ligado com a bateria da Nikon D50 emprestada,
Tripé comprado,
Dois cartões de memória de 2Gb.
A dois dias de distância de uma das cidades mais bonitas do país,
A um mês de distância de São Paulo,
A dois meses de distância da minha mãe.
Medo? Nem sei.
Sei que vou aprender a ser outra pessoa,
Da folha em branco.
Não sei de nada de nada.
Só um pouco sobre O Cara de quem vou falar.
Vou virar outra gente.
Gente eu nunca fui,
Mas se havia projeto, ele foi mudado.
Medo, só de passar frio.
Vontade, muita.
De ir.
Confiança, Nele.