segunda-feira, 24 de outubro de 2011

de ir e de vir

eu não tive tempo nem pra chorar.
foi igual a tirar band-aid.
rápido e indolor.
indolor...
vou escrever um artigo para uma revista de ciência.
vou descrever uma dor completamente nova.
vou esclarecer anos de dúvidas.
e vou falar sobre o tempo.
esse é coisa que só importa na vida.
morto não liga pra hora.
morto não liga pra nada.
os vivos tem tempo.
tempo pra cada coisa.
tempo de vir e de ir.
de ficar perto, de ficar longe.
tempo vira ouro.
tempo acaba.
eu quero registrar um furto.
eu tinha tempo. não tenho mais.
eu tive cuidado, ele estava comigo, eu prestava atenção.
mas ele sumiu. eu não perdi. não joguei fora. cadê?
só pode ter sido furtado.
vou arrumar outro, mas quero resolução desse caso.
arrumei um tempo novo, com ele decidi viver.
aquela história de morte, céu, eu quero tudo, e queria agora.
não quero mais agora. agora quero tempo, bem muito tempo.
quero cada segundo até a velhice. quero que você conte todos eles pra mim.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

eu agradeço a Deus.

Com essa música aqui:



Essa semana foi grande...
Muitas revoltas. Mas de todas elas, eu acho que a maior foi por causa desse congresso absurdo. E por causa de uma pessoa absurdamente intolerante. Então eu fiz isso:

Depois disso, eu fiz um texto. Enorme. Cheio de referências e lógica. Cheio de uma tentativa de fazer ciência. Depois de corrigido, eu perdi a vontade de postar. Fiz num momento de raiva e revolta. Não tem muito a ver com o que tem escrito ali em cima. O texto está salvo, mas vou esperar um pouco mais.

Ontem eu apresentei um trabalho falando sobre o Laboratório de Humanidades da UFRPE . Sobre um experimento que fizemos na disciplina de Bioética e Bem-estar animal. Três foram as avaliadoras que vieram ver meu painel. A primeira chegou com aquela cara "que diabos? amham...vai demorar...". A cara dela foi nitidamente mudando no decorrer da explicação, no final, ela já se voltava para mim e concordava e falava o quão interessante era aquela maneira de ensinar, aprender, ver, questionar... A segunda, apática chegou, apática se foi. Depois fiquei sabendo que ela uma professora muito jovem que, segundo alguns, era meio, digamos, gretada. A terceira chegou bem tarde, meio esbaforida, meio conversadora, conhecia minha orientadora a anos, bem animada. Ela se mostrou prática e atenta, mas nada me mostrou um especial interesse da parte dela pelo trabalho. Depois que comecei a explicar, que ela se situou no assunto, ela começou a falar um pouco sobre como coincidentemente ela tinha feito uma interrogação [como ouvi alguém dizer essa semana] a si mesma. Se perguntar se ela não deveria parar, pensar, ir mais devagar. Falou que era muito acelerada, que estava doida fazendo projeto, indo dormir 2 da manhã e acordando 5. No meio da minha apresentação me atrevi a citar a bíblia. Quando de repente percebo que ela começou a chorar. Lavou o rosto com lágrimas e continuou a desabafar sobre como corria, corria, corria, e se perguntou: O que é que eu estou fazendo na minha vida? O material acaba e o espiritual fica. Falei: "Tudo é fugaz. Tudo é vaidade."

Então ela falou que tinha achado muito bonito o gesto de algumas pessoas ao agradecerem a Deus. Viu algumas outras pessoas com o mesmo adesivo na camisa e falou que ficou admirada enquanto apontava para o que estava na minha blusa. Eu não ia falar que tinha sido iniciativa minha, mas minha orientadora falou. Dei alguns adesivos a ela e ela falou: "gostaria de ir nesse Laboratório de Humanidades, acho que todos precisamos disso." Minha orientadora me falou que ela é uma grande pesquisadora da universidade.

Segundos antes eu me criticava intimamente: "eu poderia ter feito mais. Poderia ter feito mais barulho com isso. Deveria ter impresso mais adesivos". De fato, eu poderia. Talvez até deveria ter feito. Mas eu tive certeza de que minha autocritica era nada diante da repercussão que teve, não em 50 nem 100, mas em uma pessoa.

Meus finais moralistas de contos de fadas me dão nos nervos, as vezes.
tpm.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

um ano.

Dia 1 de outubro fiz um ano de blog. Muitas coisas aconteceram [casamento de uma linda amiga e hospedagem de uma pessoa muito importante para mim], e isso me fez não postar nada no dia.
Ainda assim, não posso deixar passar. Não coincidentemente, este é o 60º post deste blog. Sim, eu esperei de propósito para marcar esses dois acontecimentos ao mesmo tempo.
Não esperem um post extraordinário. Eu não espero.
Só gostaria de dizer duas coisas:
um ano... isso me faz pensar no meu primeiro post, no momento e lugar em que estava e nas coisas que tinha em meu coração. Em contraste eu penso no agora e em tudo que teve no meio. Essas datas nos levam a fazer isso. Me pergunto porque as pessoas tem esse costume. De fechar e começar um novo ciclo. Sei lá. Quem sou eu para inovar... Enfim, eu agradeço a você que esteve comigo...sim...você... eu te amo...
Outra coisa é mais um pedido que algo a dizer.
Um dia, quando você estiver por aí nessas andanças da sua vida, quando você nem se lembrar mais que leu isso aqui, você, sem querer, vai olhar para o céu e lembrar de fazer o seguinte: pare, olhe, escute e só isso. Não pense, não ore, não pergunte. Só olhe. Você vai ouvir algo. Deixe-se escutar.

"Eu te amo tanto. Você não consegue imaginar. Nem tente. Eu não sou maior que o meu amor por você. Não há coração no mundo para tanto amor. Nem juntando todos os 7 bilhões de corações. Mas você é livre. Você pode me amar de volta. Ou não. Você pode me odiar. Você pode me ignorar. Mas eu te amo. Você pode escurecer o céu, pode sujar o chão, pode apodrecer as águas, mas eu vou continuar a te amar. Nem Eu sou maior que o meu Amor por você. Você...vai conseguir..."

eu ouvi isso.