sexta-feira, 29 de abril de 2011

experiências antropológicas

Eu descobri essa madrugada, no meio do mato, acompanhada por mais duas pessoas e muitos mosquitos, duas coisas muito importantes, porém completamente diferentes:

1- É necessário estar com o coração no lugar para apreciar as coisas que estão ao seu redor como de fato devem ser apreciadas.

2- Tolkien estava certo.

"Oi? Como assim?"

Detalhes a parte...um coração no lugar põe todo o resto no lugar e, portanto, sua visão, sua audição, seus sentimentos, seus afetos, seu olfato, sua mente estão em perfeita posição para observar, apreciar e entender o que te rodeia. No escuro, no meio do mato, de madrugada, tudo é perfeito e nada pode te machucar, ou te magoar, ou te prender. É liberdade de corpo e mente e alma. Puramente isso. Eu ouvi, senti e percebi o que me rodeava. Foi indescritível. É como sorrir sem motivo. Só por sorrir. É tudo e nada ao mesmo tempo. Tudo o que você ama e o que você odeia não significam nada ali. É como se fosse só você e Deus se olhando, como dois que se amam muito. Tanto que só o olhar basta. É ver com todo o corpo, de olhos fechados. Tudo isso só por ter o coração no lugar e ter sorte de poder estar no meio do mato ouvindo mães-da-lua, grilos, gias, algumas aves madrugueiras acordando...

Mas por fim chego ao segundo ponto: Tolkien estava certo.
Estava certo quando inventou os elfos silenciosos e perfeitos para andarem e respirarem sem fazer um mínimo barulho...para que estes pudessem dizer: "O anão respira tão alto que poderíamos acertá-lo no escuro". E estava certo ao mostrar que tanto os anões como qualquer outro que não fosse elfo respira alto, é barulhento, não se preocupa de impor sua presença e, dá licença, mas não importa o barulho ou o estrago que faça, o que importa é fazer o que quer. Por que as duas graças que estavam perto de mim nesse momento sublime de transcedência faziam tanto barulho ao respirar, que até eu, sem nada nas mãos, tive vontade de acertá-los. ¬¬

Bom fim de semana!

domingo, 24 de abril de 2011

sentidos, nenhum, só sentimentos.

Volta e meia, a confusão.
Entendo agora, o coração das moças.
Quanto a morte, não a temo,
Mas não me dou bem com ela.
Me resta seguir.
Mas o que me impressiona mesmo é que eu não ligo nem um pouquinho para futebol.

domingo, 10 de abril de 2011

Palavras de Coélet, filho de Davi

Três da manhã e aos jorros, as lágrimas caem:
-"Por quê? Porque dói tanto? Porque eles? Porque não eu? Não quero mais, por favor, faça parar!"

"Ó suprema fugacidade, ó suprema fugacidade! Tudo é fugas! Que proveito tira o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol?"

-"Mas porque eles?? Porque assim? Não quero mais. Não é justo. Quero ficar aqui. Só. Aqui."

"Geração vai, geração vem, e a terra permanece sempre a mesma. O sol se levanta, o sol se põe, voltando depressa para o lugar de onde novamente levantará. O vento sopra para o sul, depois gira para o norte e, girando e girando, vaidando as suas voltas. Todos os rios correm até o mar, e o mar nunca transborda. (...) Debaixo do sol não há nenhuma novidade."

-"Não...não!! Dói muito. A falta dói. Não consigo mais ser feliz. Não sou feliz, nem alegre. Quero ficar só aqui. Só. Porque tem que ser assim? Porque sofrem?"

-"Debaixo do céu há momento para tudo..."

-"É injusto!"

-"...o justo e o injusto estão debaixo do julgamento de Deus, pois existe um tempo para cada coisa e um julgamento para cada ação."

-"Sofro tanto. Tanto. O tempo todo. Não tenho sossego. Ele sofrendo me faz sofrer. Eu escondo. Mas é máscara. Eu sofro. E o outro se foi. Estou só. Como odeio isso. Não aguento mais."

Apesar de tudo, vale a pena viver
-"O homem não conhece nem sequer o amor e o ódio, embora isso tudo se desenvolva diante dele. Todos têm o mesmo destino. Enquanto alguém está vivo, ainda há esperança, porque é melhor um cão vivo que um leão morto. Os vivos estão sabendo que devem morrer, mas os mortos não sabem nada, nem terão recompensa, por que a lembrança deles cairá no esquecimento. Seu amor, seu ódio e ciúme se acabam, e eles nunca mais participarão de nada que se faz debaixo do sol. Portanto, vá, coma o seu pão com alegria e beba o seu vinho com satisfação, porque com isso Deus já foi bondoso para com você.
(...)
Goze a vida com a esposa que você ama, durante todos os dias da vida fugaz que Deus lhe concede debaixo do sol. Essa é a porção que lhe cabe na vida e no trabalho com que você se afadiga debaixo do sol.
Tudo o que você puder fazer, faça-o enquanto tem forças, porque no mundo dos mortos, para onde você vai, não existe ação, nem pensamento, nem ciência, nem sabedoria.
(...)
Doce é a luz, e agradável para os olhos ver o sol. Se o homem viver por muitos anos, procure desfrutar de todos eles; mas lembre-se dos dias sombrios, que serão muitos, pois tudo o que acontece é fugaz.

Jovem...alegre-se na sua juventude e seja feliz nos dias da mocidade. Siga os impulsos do seu coração e os desejos dos olhos. Contudo, saiba que Deus vai pedir contas a você de todas essas coisas. Expulse a melancolia do seu coração e afaste do seu corpo a dor, porque a juventude e os cabelos negros são fugazes."

...e foi mais ou menos assim que levei uma surra.

sábado, 2 de abril de 2011

Pensei em você em francês

Então, hoje eu pensei em você.
Mas que grande novidade. Todos os dias eu penso em você e sinto sua falta. Aprendi uma frase em francês hoje por causa disso: "tu me manques". Fiz um desenho. Fiz você. Mas pra mim agora você é diferente...tem asas e pode voar e viver para sempre. Como uma fênix. Só que para mim você não é uma fênix. Parece mais com uma andorinha. Não. Não parece com nenhuma das duas, mas de algum modo, andorinhas me lembram você. É uma andorinha que volta das cinzas. Isso não sai da minha cabeça.

 Viver quer dizer amar, sofrer, chorar, sorrir, ganhar e perder, tudo numa palavra só. Mas perder me fez um grande buraco no corpo. Esse buraco não fecha nunca.