domingo, 30 de janeiro de 2011

não cabe.

E essa vida que não é minha, é tua. Vem buscar, pelo amor de Deus. Me dá algo para fazer com ela ou manda ajeitar, porque ela só está aqui, juntando poeira. Eu não nasci para ela e não sei se ela serve em mim. Fico sempre tentando fazer caber, mas uns lugares ficam frouxos, outros apertados. É assim mesmo? Mas mesmo assim, você tem que fazer alguma coisa a respeito, porque eu posso acabar estragando tudo. Eu não consigo ajeitar isso sozinha.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Eu pessimismo

Eu reclamo
Eu choro
Eu fico triste
Eu, desespero
Eu desisto
Eu resisto
Eu paro
Eu volto
Eu escrevo
Eu esqueço
Eu, recomeço

domingo, 2 de janeiro de 2011

Aquele banheiro

Eu gosto do banheiro da casa da minha vó.
Eu entro nele, fecho a porta, boto Ferraby Lionheart para tocar no celular [porque música no banheiro é uma das melhores coisas já criadas e recomendo - tanto a prática quanto o intérprete supracitado] e parece que tudo o que já aconteceu não aconteceu.
Tudo volta ao que era antes da conciência das coisas da vida adulta.
Não tenho trabalho chato, não tenho falta de dinheiro, não tenho ex-namorados, meu primo está lá fora fazendo qualquer coisa, minha vó está fritando um ovo para mim e tudo é normal denovo. Se é que isso de "normal" existe quando se refere a passagem do tempo. Alí eu meu coração é inteiro.
Em nenhum outro lugar isso acontece. Não se trata de banheiros em geral, só aquele banheiro. As lembranças se tornam estórias que inventei e a expectativa não existe.
Mas não dá para viver em um banheiro. Primeiro que não deve ser saudável, segundo que eventualmente ele precisa ser liberado para as outras pessoas da casa e terceiro que não seria vida.
Mas eu gosto daquele banheiro.